janeiro 14, 2005

E, todavia, a transtagânea mexe-se...

Ainda que abundantes montes e mesmo alguns outrora grandes acentos de lavoura estejam votados ao abandono, senão em ruínas, outros há que retornam ao branco da cal orlado pelo violento do ocre. São apenas casas de forasteiros para fins-de-semana de ócio, onde não ronca o tractorinho nem ressoa o badalo no chocalho de um vivente animal, dirão os mais cépticos. Alguma razão lhe assiste, digo eu. Mas a coisa move-se, olá se move!!!
Nas aldeias grandes pulam as novidades. O banco e o gabinete de contabilidade escancaram portas. A florista e a papelaria. A rotunda e o trânsito de sentido único. A boutique e a loja dos trezentos. A clínica e o cabeleireiro esteticista e manicura. A pizzaria e a loja de conveniências. A discoteca e o bar lanchonete. A tvcabo e a internet.
A conservadora ruralidade começa a conviver aos soluços com o puto do kispo e do piercing. A moça do cabelo verde eléctrico e a avó de negro do sapato ao lenço tomam galões com donuts. O alto do informal grupo do cante afina a goela a golos de uísque. O retratista das horas vagas virou operador de vídeo e perpetua tudo o que seja festarola em DVD. O agricultor tem na carteira, no separador em frente da imagem da padroeira da terra, o cartão das finanças onde se lê: empresário em nome individual. O coveiro da junta tirou um curso de especialista em inumações. Uma franzina urbanidade brota ainda bruxuleante, mas brota.
Que a coisa se mexe, não tenho dúvidas!!! Para onde, talvez a vidente do lugar saiba???

Publicado por machede em janeiro 14, 2005 12:05 AM
Comentários

Compadre Joaquim, calhando é um TSUNAMI da modernidade e...
Um abraço.

Afixado por: Albardeiro em janeiro 14, 2005 01:43 AM

E ainda não abriu nenhum "RESTAURANTE E BAZAR CHINÊS"?? Salvé!! É porque ainda estão muito bem!!

Afixado por: ms em janeiro 23, 2005 01:10 PM