dezembro 15, 2004

Federação Nacional para a Alegria no Trabalho

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Documento impressionante este que me veio cair nas mãos por mou da gentileza de amigo. “Dez anos de alegria no trabalho 1935-1945”, edição fac-similada de 1998. Um retrato fiel do Portugal das décadas de 30 e 40. O retrato de um “império de pés descalços”, grelado numa mescla de sacristia e de um nacionalismo bacoco, sustentado num povo meão na grandeza por via da falta de nutrientes por alturas do espigar. Numa época em que os germanófilos daqui embandeiravam as mentes, suspirando por nos metamorfosear em espadaúdos arianos. Possivelmente com o sonho no envio de mais umas caravelas atafulhadas de “Heróis do Mar”, por esse rio acima. Exactamente por esse rio acima direitinhos aos infiéis vermelhos.
Ele há coincidências do arco-da-velha, logo agora me haveria de cair no regaço esta caterva de esqueletos caídos do armário. Logo agora que os moços da brilhantina se saracoteiam teimando em ressumbrar os fantasmas do antigamente.

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4º Festival de Educação Física realizado no Campo da Tapadinha em 27 de Setembro de 1942

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Dois futuros trabalhadores de Portugal

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Alguns milhares de operários assistem a um Serão Cultural e Recreativo na Marinha Grande

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Grupos Folclóricos da FNAT que representaram Portugal em Berlim durante o Congresso Mundial da Alegria no Trabalho

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Um grupo de ardinas com o Jornal da FNAT «1º de Maio»

Publicado por machede em dezembro 15, 2004 01:16 AM
Comentários

Amigo Joaquim, este seu “post” mexeu com a história e, sobretudo, com a minha sensibilidade para a temática. Desta forma, ocorre-me acrescentar que essa filosofia política, do Paternalismo político, da noção obtusa da Chefia e da Obediência que animou/anima (sim porque ainda...) o ideário salazarista, a par do seu ideal “utópico” (mais exactamente ucrónico, ou seja, fora do tempo, do seu tempo), virado para um mundo que queriam fazer parecer doirado e impossível em pleno século XX, com a sua “aurea mediocritas” (e que actualmente veio ao de cimo novamente, passe a redundância)de humildade e pobreza, o ideal neotomista de uma “pax ruris” medieval, um mundo afastado do MUNDO, sem electricidade nem revolução industrial a maculá-lo, com o “bom selvagem” salazarista condensado naquele campónio que regressa a casa, à pequenina casa portuguesa (celebrada em canção de sucesso num bucolismo nacionalista), depois de um dia de trabalho no amanho da terra, essa mãe-terra que miticamente o Chefe queria como fundamento, princípio e fim de toda a riqueza, sob um céu imóvel e sempre azul onde um Deus, também salazarento, velava pela tranquilidade universal e pelo bom andamento da sociedade portuguesa, tão fiel ao culto, de que o Presidente do Conselho seria afinal o natural delegado terreno, e o Chefe de família o seu representante também natural, nessa célula base societária. Nessa utopia – ou ucronia – una e trina, triádica tanto no seu lema como na sua construção em pirâmide de três níveis – Deus, Chefe e Pai – neste “locus amenus” salazarista, neomedieval, arreigadamente paternalista, cristão, misoneísta e tradicionalista ou arcaizante por ser anti-industrialista, perpetuando uma Nação rural, que a Ditadura a forçava a ser.
Desculpe Joaquim, pelo exagero do comentário mas, tendo em conta também os tempos que correm e as palhaçadas que nos oferecem, tinha que (também!) dizer isto! Só para acabar, um trecho do poema "Portugal" de Jorge de Sena:
terra de escravos, ou pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto,
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre...

Um abraço e até sábado.
Ps. O Vimieiro, é aquele que julgo conhecer entre Arraiolos e Estremoz, ou é outro? Diga qualquer coisa.

Afixado por: Albardeiro em dezembro 15, 2004 06:38 PM

E eu que tinha umas fotografias da inauguração do Estádio Nacional, com os atletas a fazer a saudação nazi!... Foram-se, levadas por engano numa fúria assassina de inutilidades, durante vendaval de arrumações...:((

Afixado por: Margarida A. em dezembro 15, 2004 11:21 PM

Parabéns por aqui trazeres um pedaço da história ainda recente deste país mergulhado em bestialidade.

Afixado por: pedra em dezembro 20, 2004 07:02 PM