Está frio, uma rijeza escorrida, seca, que se entranha. Gosto deste tempo que nos perscruta severamente o canastro. Como gosto da ternura do olhinho do sol no aconchego da empena da casa. O dádiva calorenta do astro rei. E gosto desta luz crua, nítida, das dez da manhã. Da hora que trás o odor do pão fresco acomodado no talego da tia Maria, que passa debruada a escuro, preto mesmo. Que passa e sorri a generosidade de um bom dia. A nobreza de um bom dia que partilha mesmo com os que mal conhece, com os que não lhe são nada. Que não lhe são nada, mas que lhe são tudo, porque sempre os alcançou como humanos iguais e garantes da sadia convivência que aprendeu no berço e levará até ao final.
É deste frio confortavelmente afável que eu gosto. Desta humanidade antiga que sabe nos outros, mesmo nos que não lhe são nada, a companhia indispensável ao calcorrear da estrada da vida. Mesmo que apenas seja no partilhar da migalha de um caloroso bom dia.
Compadre, nunca mais arranjo uma aberta para ir aí á Sulitânia, todavia, vou parafraseá-lo para lhe dizer quanto fiquei satisfeito com esta sua migalha de texto - a nobreza de uma boa escrita que partilha mesmo com os que mal conhece, com os que não lhe são nada.
Um abraço.
Porra, compadre. Este naco de prosa só comprova que o tasco lhe apura o talento. Mas onde fica esse canto de sabores para lá dar uma saltada? Entro e saio anónimo, pago pois claro, não o incomodo e não lhe deixo assento para o fiado, mas diga como lá ir. Sempre gostava de confirmar se os torresmos condizem com a escrita. Entretanto, o mesmo abraço de sempre.
Afixado por: João em novembro 17, 2004 11:33 PMMuito boa malha!
Um abraço,
Francisco Nunes
E o cheiro a lenha ardente, mesclado com o do carnes ao fumeiro?
Um abraço
E neste bocadinho de prosa revisitei a minha meninice da qual tanta saudade tenho.
Um abraço e um muito obrigado sentido.