
Dado o enfastiado ar do Santo Padre, apostava uma garrafita de Pêra Manca contra um copo de mediana pomada em como o Presidente Jorge lhe está favorecendo um desenxabido e protocolar consommézito. Voltava a apostar uma caixa do mesmo Pêra Manca contra uma botelha de mediana pomada em como o Sua Eminência antes aguardava, do Presidente desta ratificada República de magníficos comedores, o provimento duma suculenta e fumegante sopa de feijão com espinafres aperaltada de meia dúzia de pataniscas para debicar a regulares espaços papais. Quanto à oferta da notável porcelana, rendilhada com as armas do Vaticano, nada tenho a atalhar. Digo mesmo que a dita só teria a ganhar se hospedeira fosse de tal graça.
Ao contrário do esconjuro da diplomacia do croquete, decidida há uns tempos atrás por um qualquer gimbrinhas dos negócios estrangeiros, penso que deveríamos continuar a atacar diplomaticamente na comezaina, no entanto, mais com torresmos e cozidos de grão. É que o problema da insuficiência na arte política da negociação e afirmação externa não está, definitivamente, no croquete. Está antes na sensaboria mental dos artistas que promovemos a nossos representantes. Atrevo-me até a acreditar, por troca de artistas, na superior capacidade intelectual do croquete.
Quanto ao Presidente Jorge, no que concerne aos dotes promocionais da arte de bem comer no luso território, estamos conversados. Apostava mais uma caterva de garrafas, agora de finos digestivos, em como medrou a poder de ralos cremes de cenoura e maçadores bifes raspados.
Quanto aos que se perfilam? Um – as sofisticadas e operáticas maneiras dos encerados corredores do poder assim o exigem -, quiçá olvidou por demasiado rústica a boa cozinha da natalícia Beira Baixa e agora é também mais consommé. O outro, bom do outro, embora o linguarejar apresente uma pitada de sopinha de massa, acredito piamente que a D. Maria lhe favoreça regularmente e a seu desejo uns tradicionais pitéus algarvios. Reminiscências, não varridas para debaixo do tapete de S. Bento, de quando era forçado a deixar os apetitosos carapaus fritos com arroz de tomate a meio, por mou de aviar umas litradas de gasóleo ao Chico do táxi.
O que é que JS lhe está a dar, sopa? Não me parece má ideia...
Afixado por: IO em novembro 15, 2004 03:43 PMMesmo que o dia tenha sido daqueles"manhosos", tudo passa quando se lei tal prosa.
Afixado por: xico manel em novembro 15, 2004 05:22 PMEsperemos que o consommé seja tão delicioso como a sua prosa.
Afixado por: o belga melga em novembro 15, 2004 08:02 PMEsta sopa está divinal...
Afixado por: João em novembro 15, 2004 10:57 PMBoa malha!...
um abraço,
Francisco Nunes