Não tarde um fósforo e os bacorinhos pretos de montanheira estarão com as arrobas necessárias ao sofrimento. Não mais que oito ou nove arrobas. Por agora é um corriqueiro tremendo de azinheira em azinheira por mou da bolota. Quanto mais correr melhor é a carne do suíno. É desta impudência sapiens que medram os substanciais enchidos alentejanos. Mas antes de se besuntar com os ditos ensacados do fumeiro é necessário imolar o porco. Esse passo tem desde antanho um ritual de apetrechos peculiares que são parte integrante da história deste território transtagano. Geralmente peças, apetrechos e trajes com uma estética invulgar. Por mais toscos que alguns aparentem, tem o estilo simples da utilidade e a marca das mãos calosas do artífice que os moldou. Com o musgo do tempo ganharam o direito a uma estética fabulosa.

Aventais da matança

Chambaril (peça de madeira para pendurar o porco morto pelos tendões antes da desmancha)

Colheres de pau

Sangradeira (faca do sacrifício)

Alguidares de barro

Sertã de ferro
(imagens do livro A Talha e a Sertã)
Dias atrás, de conversa com um amigo, é-me dito, pasme-se, que se pode equiparar a gordura do porco de raça alentejana (vulgo porco preto e/ou ibérico, pois nustros ermanos já não os fabricam)à gordura do peixe.
Estrele-me lá um ovo, em banha de porco (daquele), com as bordas bem fritas.
Afixado por: António Carrilho em novembro 8, 2004 10:10 AMFez-me lembrar as matanças do porco que existia na ilha. O meu pai era sempre o homem que pegava na faca e dava o golpe fatal ao porco. Ainda tenho uns quantos utensilios guardados, memórias desses tempos.
Afixado por: Sónia F. em novembro 8, 2004 12:29 PM