Ainda há disso? Escassos, é certo, mas há! De fio a pavio, da teoria à prática. Construtores da ideia e de obra acabada. Arquitectos da vida e das vidas. Homens que da nascença à morte vivem cosidos com a mãe terra. Que lhe pedem desculpa se porventura lhe abalroam um grão da sua infinita harmonia. Criaturas cultores da herança dos outros avós arquitectos. Sabedores dos segredos da taipa e do adobe. Da cal e do ocre. Do azinho e do carvalho. Homens formados pela cartilha da ordem natural das coisas – não confundir com a ordem anormalmente enviesada determinada pelos hominídeos menores. Mestres que por bem determino por criaturas acratas do saber e do fazer.
Vem isto à laia de homenagem ao Manuel Faião e ao António Modas. Os audaciosos pedreiros livres que arquitectaram esta bela taberna onde corro e donde vejo correr os dias. Engendraram, com o respeito devido pelo velhinho casão já existente e outrora erigido a tijolo burro pelas mãos de outros pedreiros – calhando não tão livres.
O Manuel, nado de Espinho e espigado na cidade do sul mais ao norte que é a velhinha Lisboa. Homem que as vicissitudes da labuta encaminharam para o Alentejo de baixo vai para um ror de anos. Criatura agora já de cá.
O António, nascido na Aldeia de Nossa Senhora de Machede e medrado na aldeia grande de Évora. Homem que por aqui tem feito a lida a sorver saber sobre a salvaguarda do património construido.
Que Deus lhe pague, sentando-os, para lá do inadiável dia, na mesa farta do além. Certamente o S. Pedro, em sua honra, ripará da adega celestial um tinto de estalo.
... à saúde !
Afixado por: bamboo em novembro 7, 2004 02:08 PM