- O copo está tão mal lavado que ainda tem o vinco do sarro.
- Esta pinga é tão velha que a garrafa já tem sarro.
- Deixa-me lá beber uma boa golada d’água para tirar o sarro da camada de ontem.
Não conheço a raiz etimológica da palavra mas, pelo ladino conhecimento da palavra, sei de carreirinha que o sarro está, sabe-se lá desde quando, profundamente entranhado no vocabulário popular. Nem sempre para alcunhar impurezas e sedimentos ligados ao vinho mas, na maioria das vezes, para lá caminha.
Hoje, no bar da Sociedade Filarmónica, ouvi empregar o termo a propósito de um sujeito valentão de uma vida completa na ingestão do néctar dos deuses. Dele diziam: O sarro é tanto na pança que, de dia para dia, lhe diminui a cubicagem. Estes chaparros são uns marotos!!!
O certo é que as lérias aguçaram a vontade de tirar o assunto a limpo.
O Sarro
Sarro é o nome pelo qual vulgarmente de designa um depósito no vinho com o aspecto de cristais e cuja constituição é essencialmente de bibartarato de potássio e tartarato neutro de cálcio.
A origem destes sais reside no ácido tartárico que é um ácido especifico da uva e consequentemente do vinho, raramente se encontrando na natureza a não ser na uva. É o ácido mais forte do vinho e o que se encontra presente em maior quantidade.
No vinho a concentração deste ácido diminui pela precipitação naquelas formas químicas sendo provocada pelo enriquecimento em álcool e pelo abaixamento da temperatura.
Esta precipitação ocorre, em maior quantidade e de forma natural, no fim do inverno nos vinhos em depósito e é potenciada exactamente por aqueles factores. (...)
Francisco Pimenta
Confraria dos Enófilos do Alentejo

Sarro
E como dizia a minha vizinha..."não há nada como o asseio". Gostei deste saltinho por estas bandas.
Afixado por: doula em outubro 6, 2004 12:36 AM