Entre muros brancos a urbe rompe no sino da catedral
ressoando por minha alma na planura alentejana.
São horas de acordar à porta do infinito
embora a vagem cinda o grito da vida oculta no fruto.
Contudo hei-de parir este cântico mais puro.
Coração respira teu arco de sangue fundo
tua luminosidade solar – embaciamento da Lua –
que agora se opõe distante como energia conjunta.
Conjunta por ser no trilho do trigo já recolhido
com o joio à mistura.
Por actos assim volvidos ao enrolar meus anos
cubro a volta do tempo que aponta a noite polar
ante axial culminância.
Desfez-se em luz diurna o dedo frio do Arcanjo.
Armando Emanuel Monteiro