outubro 02, 2004

Entre muros brancos

Entre muros brancos a urbe rompe no sino da catedral
ressoando por minha alma na planura alentejana.

São horas de acordar à porta do infinito
embora a vagem cinda o grito da vida oculta no fruto.
Contudo hei-de parir este cântico mais puro.

Coração respira teu arco de sangue fundo
tua luminosidade solar – embaciamento da Lua –
que agora se opõe distante como energia conjunta.

Conjunta por ser no trilho do trigo já recolhido
com o joio à mistura.

Por actos assim volvidos ao enrolar meus anos
cubro a volta do tempo que aponta a noite polar
ante axial culminância.

Desfez-se em luz diurna o dedo frio do Arcanjo.

Armando Emanuel Monteiro

Publicado por machede em outubro 2, 2004 12:21 AM
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