
Soares Martins, sob o pseudónimo de José Capela, seleccionou uma mão cheia de cartas dirigidas pelos leitores ao jornal «Voz Africana». Este periódico foi publicado na então colónia durante a década de sessenta e, de certa forma, foi o fruto da vontade de alguns jornalistas – da redacção do «Diário de Moçambique» - em produzir informação para os africanos. Na altura tinham, estes jornalistas, a clara noção dos interesses altamente diferenciados de europeus para africanos. Sabiam igualmente ser o português a língua da comunicação possível, língua limitada a um reduzido número dos que a podiam escrever, ler e entender. Mesmo assim a aventura arrancou.
Das alvíssaras que me chegaram, na então década de oitenta, quer pela leitura do livro, quer pelos que de perto acompanharam a aventura, valeu a pena e foi seara de muitos moios de trigo!
«Moçambique pelo seu Povo», editado pela Afrontamento no ano de 1971, respeitou com exactidão total, a ortografia, a sintaxe e a pontuação originais dos documentos inclusos.
J. Raposo Chivale, solteiro, 20 anos, natural de Vilanculos e residente na Beira.
Hoje tenho muitas felicidades para conversar um pouco da minha terra. Na minha terra é uma das terras que pouco compreendem pela vida da civilização, tem uma escola onde frequenta dezenas de rapazes e raparigas. Mas o que hoje me levou a efeito de vir conversar na nossa redenção da Voz-Africana é para dizer que os pais das alunas ainda faltam da instrução junto com as suas filhas. Foi uma vez quando o meu colega desejava de namorar, acabou de namorar uma da escola, depois de alguns dias preparou para ir lobolar a mesma menina, ali havia um problema inresoável, dois rapazes concorer uma menina. Quando apresentamos os dois, o pai já sabia tudo, o que passava na sua filha. Chamou-nos aos dois, o pai da rapariga para dentro de casa, começou a perguntar a sua filha entre estes dois rapazes que apresentam aqui, de qual gostas mais? A menina respondeu gosto mais de todos. E o pai disse já tem visto uma mulher com dois maridos? E mesma assim os pais é que tem culpa de não saber educar bem as suas filhas. Porque quando os dois rapazes apresentaram foram primeiro ter com o pai da menina e o pai da menina aceitou 2º marca dia do lobolo, mas como é que aceitou paradois rapazes? Uma vaga a não ser de concurso não pode admitir dois serventes.
"Vinho para Preto" outro importante livro do José Capela para afirmar a indignação. Tempos duros esses mas, ao mesmo tempo, empolgantes!
Afixado por: Oculto em agosto 12, 2004 12:40 PM"Com um inofensivo alfinete mágico
nós os miseráveis sonhadores moçambicanos
de cerrados maxilares invocamos os desejos
e suspendemos os corações nas janelas
donde a lua e o sol quando entram
entram gradeados"
José Craveirinha
Afixado por: Maria em agosto 12, 2004 01:28 PM