
As fabulosas mãos dos marceneiros e entalhadores de Inhambane. Os prodigiosos mestres que esculpem outras segundas vidas nas nobres madeiras do Índico.
Na inexistência de uma policopiadora, decidi-me pela apropriada tecnologia do limógrafo. Máquina fundamental na metodologia do pedagogo Célestin Freinet. Imprimia folha a folha, mas imprimia a informação necessária para difundir conhecimentos. E porque não folha a folha se naquele tempo africano tínhamos todo o tempo do mundo.
Expliquei o que queria ao Fernando, mestre marceneiro dono de umas mãos de Inhambane. Mostrei-lhe o desenho das várias peças que componham a maquineta. Fora a placa de vidro e o rectângulo de seda, tudo o resto eram peças de madeira que, unidas, formariam as duas pranchetas de impressão, uma onde se entalharia o vidro, a outra na forma de janela na qual se esticaria a seda. O olhar inteligente e perspicaz do Fernando descansou-me do rigor da obra. Uns dias mais tarde, o Fernando, apareceu naquele seu jeito simpático com a máquina pronta. Fiquei siderado! O Mestre tinha optado pela construção das duas peças compactas, com os rasgos e os entalhes rigorosamente esculpidos manualmente.
Jamais assistirei a semelhante mestria no manejar do formão.
Parabéns por 1 ano em que te soubeste partilhar.
Afixado por: António Carrilho em julho 13, 2004 10:19 AM