maio 25, 2004

Variações à volta do gaspacho

O gaspachinho alentejano é comida de maiorais e lavradores, ganhões e artífices, funcionários e donas de casa que, nisto do sustento o que é bom todos gostam. Assim acontece naturalmente com o nuestro hermano gaspacho andaluz, comida de uns e de outros, de pobres e de ricos. Sopa fria, prato para os dias calmosos em que apenas a mana cigarra se atreve a serrazinar a quietude. O local de nascimento e o berço se, foi aqui ou do outro lado da raia, é coisa que nos tempos que correm nem adianta nem atrasa. Devemos é dar graças ao Criador pela sua existência.
Sendo uma receita com uma matriz comum a todo o sul da Ibéria tem, no entanto, de lugar para lugar (mesmo na região alentejana), naturais diferenças de confecção, de alguns ingredientes e mesmo de chamamento. No Alentejo – gaspacho, caspacho e vinagrada. No Algarve – arjamolho. No sul de Espanha, que eu saiba, responde apenas por – gaspacho. Saboreio com igual prazer tanto uns como outros.
Assumidamente tradicionalista (por vezes até me dá que pensar), defendo, no entanto, que o mundo só anda sabendo conciliar harmoniosamente, tradição e inovação. Verdadeiro lugar-comum este paleio cá do rapaz que, no caso, me serve de acto de contrição para o atrevimento de tentar novas variações à volta do gaspacho. Posto isto, caldeei as duas variedades principais conhecidas (a de cá e a de lá), e misturei-lhe um ingrediente exótico.
Já testei o projecto no meu painel de provadores privado e, passe a verdade, não levei uma pisa de porrada!

tomate.jpg
Gaspacho com caviar
6 tomates maduros
½ pepino pequeno
¼ de pimento verde
4 dentes de alho
100 gr. de caviar preto (de sucedâneo, que é mais em conta para o bolso)
250 gr. de presunto
8 colheres de sopa de azeite
orégãos
vinagre
sal grosso
cubos pequenos de pão frito
cubos de gelo

Com a varinha mágica liquefaz-se o tomate que foi previamente pelado e retiradas as sementes. Com o pepino cortado longitudinalmente em quatro, corta-se em lâminas finíssimas, o mesmo acontecendo ao pimento e aos dentes de alho. Numa tigela média deita-se o azeite e o tomate passado, acrescenta-se o pepino, o pimento, o alho, o caviar e os cubos de gelo. Mistura-se tudo muitíssimo bem, temperando de seguida a gosto, com o sal, o vinagre e os oregãos. Deixa-se descansar a mistura e paralelamente derreter o gelo. Entretanto corta-se o pão em cubos e frita-se levemente. Na altura de servir junta-se o pão frito ao gaspacho e acompanha-se com o presunto em prato à parte.

Figos frescos e uvas também calham bem como acompanhamento.
Enquanto vai deglutindo esta maravilhosa sopa fria, vá bebericando com infinito consolo um branco fresco da Granja.
Para sobremesear, abata positivamente um creme frio de abacate com natas, açúcar, limão e um farrapinho de rum.
À sesta rapaziada!

Publicado por machede em maio 25, 2004 01:05 AM
Comentários

!!! E esta?!

Um abraço,
francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em maio 25, 2004 01:11 AM

ó homem, levou meses mas lá confessou essa do caviar, que ainda por terras do índico é comentada.

Afixado por: jpt em maio 25, 2004 02:19 AM

Isidoro, nem a propósito (embora o dia esteja para o cinzento)... são horas de almoço!
Um abraço.
Alves Caeiro

Afixado por: Albardeiro em maio 25, 2004 12:56 PM

não sei se me atrai mt a ideia do caviar, mas haja deus por alguem "tentar conciliar harmoniosamente tradição e inovação". Gostaria de ver uma tentativa com algum ingrediente verdadeira e agradavelmente inesperado.

Afixado por: manuela. em maio 28, 2004 01:20 PM