maio 22, 2004

Fatias de cá

fatias.jpg

Reproduzo o diálogo mantido, esta manhã, com a empregada de uma baiuca, a puxar ao modernaço, que tem porta aberta na zona histórica aqui do burgo.

- Um copo de leite frio, uma fatia parida e um café – isto após o cordial cumprimento matinal.
- Fatias paridas não temos!!! – retorque a empregada com acentuada rispidez.
- Minha senhora estão aqui no expositor!? – dei de volta, com um meio sorriso, apontando as ditas.
- Isso é fatias douradas, paridas são lá na minha parvónia – atirou brusca com metade da face, enquanto a outra metade se desfazia em salamaleques para uma madame que de beiços esticados pedia um duchaise num francês do ciclo preparatório.
- Então fico-me pelo leite e pelo café – rematei de sorriso escancarado.

Pobre gente que, com verniz citadino de má qualidade, tenta varrer para debaixo do tapete a cultura da sua “parvónia”. Aldrabada gente engavetada nas amadoras deste país de contentinhos, deitando diariamente os bofes pela boca numa correria louca atrás duma velhice ensanduichada numa marquise de alumínio cheio de artrites. Ludibriada gente que cuida ter subido ao 1º andar da vida enquanto os da parvónia ficaram pela cave. Calhando serão enterrados no engodo que o cemitério da cidade tem um estatuto superior ao da “parvónia”!
Eu já pedi os bons ofícios familiares de me meterem no forno de Ferreira do Alentejo. Em termos de quilometragem sempre fica mais em conta, e depois estão ali à mão os barros de Beja para espalharem as cinzas. Isto, caso o senhor da Taifa Ferreirense não se oponha a grelhar lá um gajo do Alto Alentejo. Até lá, vou continuar a comer fatias paridas! Caso não vendam, cozinho-as eu!!!

Publicado por machede em maio 22, 2004 12:23 AM
Comentários

Compadre Isidoro, você 'está uma máquina'!
Boa, boa...

um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em maio 22, 2004 01:07 AM

. . . ah Maria , e tu com a mania das modernices , algum dia ainda te pões a fumar !

Afixado por: JORGE RAIMUNDO em maio 22, 2004 11:02 AM

Isidoro, ... claro que é essa pobreza de espírito que os conforta e estupidamente pensam que são mais felizes. Na minha aldeia, era eu rapazola, o Ventinhas pediu ao tio Casca (dono da taberna)um bagaço com uma amêndoa, o tio Casca tira o copo do bagaço de um balde e o Ventinhas todo asseado (tinha fama de pouco brio nesta área) pediu um copo lavado, resposta do tio Casca: "então em casa bebes num maceirão, e aqui estás com finuras".
Um abraço.

Afixado por: Alves Caeiro em maio 22, 2004 02:11 PM

Como eu gostei deste post :)

Afixado por: luis tata em maio 23, 2004 11:51 AM