Calaram-se as aves para a sesta
e, no silêncio palpável e viscoso,
a terra pulsa e lateja, transpirada,
como um corpo febril e decadente.
No braseiro do mar fulvo das searas,
aqui e além, sobre vagas de amarelo,
o mastro ensanguentado dum sobreiro
com a âncora desgrenhada à superfície.
As algas de restolho estão sedentas.
O farol gigantesco está a pino.
E, ávidas de verde, tombaram as gaivotas,
nesta marinha imensa e ressequida.
Só o motor das traineiras, insistente,
no tac-tac sonolento das cigarras,
como nota de vida no ar quente!..
Luísa Freire

mar de trigo com traineira ao longe
Será o convívio dos alentejanos com os 'oceanos seareiros' que lhes despertou a curiosidade e os desfiou para os outros, para os mais salgados?
Uma abraço,
Francisco Nunes