maio 17, 2004

Marinha Alentejana

Calaram-se as aves para a sesta
e, no silêncio palpável e viscoso,
a terra pulsa e lateja, transpirada,
como um corpo febril e decadente.

No braseiro do mar fulvo das searas,
aqui e além, sobre vagas de amarelo,
o mastro ensanguentado dum sobreiro
com a âncora desgrenhada à superfície.

As algas de restolho estão sedentas.
O farol gigantesco está a pino.
E, ávidas de verde, tombaram as gaivotas,
nesta marinha imensa e ressequida.

Só o motor das traineiras, insistente,
no tac-tac sonolento das cigarras,
como nota de vida no ar quente!..

Luísa Freire

traineira.jpg
mar de trigo com traineira ao longe

Publicado por machede em maio 17, 2004 12:15 AM
Comentários

Será o convívio dos alentejanos com os 'oceanos seareiros' que lhes despertou a curiosidade e os desfiou para os outros, para os mais salgados?

Uma abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em maio 17, 2004 04:03 PM