Estive pela França o tempo suficiente para saber do arreigado chauvinismo dos franceses. Inclusivamente, trabalhei com alguns nas andanças africanas. Petulantes por vezes. Tenho, no entanto, uma enorme admiração pelo forte sentimento de cidadania dos franceses.
Há uns tempos em Paris, de regresso a Portugal, encalhei numa barafunda tremenda por via da paranóia da segurança nos aeroportos. A fieira do controlo era dacroniana. O engarrafamento de passageiros uma autentica turba em desespero pelos atrasos monumentais. Os polícias de fronteiras faziam render o peixe da arrogância. Molestaram verbalmente um cidadão, ameaçando-o inclusivamente de detenção. Só que o homenzinho não se ficou e puxou verbalmente dos seus direitos, duma forma tão arrebatada, que não tardou cinco tostões para a populaça se arregimentar na defesa do cidadão. Terminou com o patrão dos chuis a pregar-lhe um correctivo público e as enormes bichas a desandarem lestas.
A França sempre foi um país de tribunos. E de pequenino se torce o pepino.

A Liberdade Guiando o Povo, 1830 - Delacroix
Bela Res-pública, que pariu um filho de puta como o Napoleão. Assaz pilhador.
Afixado por: António Carrilho em maio 12, 2004 10:32 AM