
O mundo desenvolvido sempre abusou do mundo em desenvolvimento ao escoar para lá os seus artefactos excedentários. É evidente que com a cumplicidade dos governantes e pensantes locais – outros valores mais altos se levantam!
Da enxada para o tractor, assim de repente, ninguém passa sem convulsões. No meio ficou esquecido o domínio e o uso da tracção animal. Há, incontornável, um caminho de habituação e conhecimento a percorrer. É nesse saber e sua consequente apropriação que se deve sustentar o desenvolvimento equilibrado e harmonioso.
Na década de 80, em Moçambique, a região do Chokwé fervilhava de planos desenvolvimentistas. Um porradão colossal de hectares para a produção de arroz. Para tantos hectares de arroz havia que ter um porradão de tractores e auto-combinadas (ceifeiras debulhadoras). Lá se adquiriu a magnifica maquinaria. Só que a rapaziada local foi paulatinamente descobrindo da utilidade, para a sua vidinha, de algumas componentes da dita maquinaria tecnologicamente desenvolvida. Daí até uma parte substancial do parque de ceifeiras estar impróprio para cumprir a sua obrigação, foi um abrir e fechar de olhos. A rapaziada tinha descoberto uma certa corrente que as ditas ceifeiras tinham como necessária ao funcionamento do maquinismo de recolha do cereal. E as ditas correntes serviam às mil maravilhas no maquinismo de tracção das suas gingas (bicicletas pedaleiras).
Assim como assim, valha o sábio combate ao desperdício: nada se perde, tudo se transforma.
Qual subdesenvolvidos nem meios subdesenvolvidos. Desenvolvessem-se!
Então e depois mandavam os excedentes para a sucata. Não, vendem-se aos pretos!