
(photo Gérard Castello-Lopes – Évora, 1956)
A casa da direita, na imagem, foi derrubada por alturas de 1957. O seu desaparecimento deu lugar ao nascimento do Largo das Portas de Moura. O perímetro da casa passa a ser o tabuleiro central do novo Largo. Ainda à direita da imagem existia, por esta altura, o edifício do quartel dos bombeiros. Edifício, um pouco mais tarde, igualmente sacrificado em prol da construção do novo Palácio da Justiça. Aliás, o nascimento do novo largo esteve certamente ligado a uma visão de grande evidência e monumentalidade para a nova casa da justiça. A marcante traça arquitectónica “estado novo” confirma-o. O grandioso epíteto de Palácio da Justiça também.
Foi a grande obra pública eborense da dobra do meio século. Nela trabalharam maioritariamente os presos da cadeia da cidade. Não sei ao certo se voluntariamente, mas, porventura, a troco de meia dúzia de patacos.
Do derrube da casa outrora existente no lugar do tabuleiro não me recordo. Na memória apenas tenho o formato do actual Largo das Portas de Moura. Da existência do quartel dos bombeiros lembro-me perfeitamente. Na portada do quartel habitava um macaco que fazia as delícias de pequenos e grandes. Símio este que acompanhou a mudança da corporação do comandante Assis para o novo quartel ao Chafariz d’El-rei.
O comandante Assis era um homem importante, na pose e nas medalhas que lhe cobriam por inteiro a ampla peitaça. Dava largas à vaidade medalhada, ao volante da sua negra arrastadeira citroen, passeando a importância de chefe de um batalhão de soldados da paz, mas em todo o caso soldados.
Fogos de outros tempos!