março 13, 2004

O mê Gugas...

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Hoje, depois de cochilar umas horas em vale de lençóis, vou almoçar a Messejana, ou, se preferirem, à Praia de Messejana. O mê Gugas faz meio século de vida, ou, se preferirem, o mê Zé Carlos Albino faz 50 anos.
Não só pelo facto de aniversariar os 50 da ordem, mas o mê Zé Carlos merece os quase 300 quilómetros da deslocação e muitíssimo mais outros merecimentos.
Conheci-o na ressaca de África, por mou do seu convite para integrar a equipa de técnicos que iriam bulir no projecto de desenvolvimento a executar em Messejana.
O Zé Carlos saíra de Messejana para a capital ainda caçula. Estudou e cresceu-se homem a labutar pelos desenvolvimentos cooperativos nos revoltos tempos do PREC. Um dia, cansou a cidade grande e decide voltar há origem. Com ele traz os cordéis do conhecimento para pôr ao serviço da sua terra. Por consequência nasceu o projecto de Messejana que, por sua vez, gerou a Agência de Desenvolvimento Esdime.
Projecto cativante que, mau grado os escolhos, levamos a bom porto. Das 100 pessoas abrangidas pela intervenção, cerca de 65 angariaram actividade, umas por sua conta, outras por conta de outrem. Dentre os escolhos, o maior, calhou ao Zé Carlos. Na ponta final, perante o atraso das verbas vindas da UE, o Zé e o Ruas (na altura presidente da Junta) decidem-se pela não suspensão do projecto. Para que assim fosse, contraem um empréstimo bancário caucionado por bens da sua família e por equipamento da Junta de Freguesia de Messejana. Já após o término do projecto, as verbas vieram finalmente, mas com um corte substancial. Posto isto, parte da garantia patrimonial da família do Zé foi ao ar, não toda porque o Zé ainda tem pessoas a quem pode chamar amigos.
Quando relembro esta história ainda sinto uma certa amargura. Principalmente porque sei, sabemos, todos sabemos como foi (mal) aplicada uma grande fatia das ajudas da união europeia. Mais a que foi “desviada” à má fila do seu intuito. Responsáveis? Estão aí de boa saúde, mormente a financeira. Quando muito, mudaram a cadeira para outra administração pública.
O mê Zé Carlos não tem cadeira, mas tem a consciência tranquila!

Parábola da Praia de Messejana
Consta que a virtual Praia tem ancoradouro na seguinte passagem.
Quando o Brito Camacho foi nomeado primeiro-ministro, os messejanenses pensaram logo em tirar proveito da costela conterrânea do governante. Uma comissão de notáveis foi recebida pelo patrício ministro que, serenamente, ouviu das suas reivindicações. Queremos isto, mais isto e aquilo e ainda isto, olhe, e ainda esquecíamos mais isto. Com a fina ironia alentejana que tão bem soube expor nos seus escritos, Brito Camacho, perguntou maliciosamente se, para além daquilo tudo, não quereriam também uma praia lá para a terra. A comissão de notáveis, empolgada com a abertura do governante, ripostou de imediato: arranje então lá a água, que a areia arranjamos nós!
Durante anos a palavra praia esteve erradicada do vocabulário messejanense. Ainda há poucos anos aquando da construção do depósito de água, a malandragem de Aljustrel comentava: os da praia já tem farol e tudo. Eu, quando chego, pergunto sempre ao Diamantino do café: é pá não me arranjas aí uma casa baratinha para alugar pela época balnear. Depois, bebemos um copo e rimos da graçola!


Publicado por machede em março 13, 2004 01:17 AM
Comentários

Dê-lhe os meus parabéns... e gabe-lhe o coelho.
Pode ser que ele se lembre cá do sócio...

um abraço,
francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em março 13, 2004 01:53 AM

Já agora... O brito Camacho nasceu no Monte das Mesas, perto da aldeia de Rio de Moinhos, tinha casa aqui em Aljustrel, hoje com uma lápide lá deixada pelo 'Bochechas', estudou em Beja, formou-se em medicina, foi ministro, director de um jornal (a Luta, salvo erro), chefe do 3º maior partido da República e foi o 1º político português a defender o federalismo para as possessões ultramarinas portuguesas.
Curiosidade: não era tão de esquerda como o PCP quis fazer crer... em Lisboa defendeu muitas vezes os interesses corporativos dos grandes lavradores do Alentejo...

Outro abraço,
Francisco Nunes

P.S.- Mais uma vez lhe peço encarecidamente que dê os parabéns ao Zé Carlos Albino (da parte do gaijo do Livro da Câmara de Panóias).

Afixado por: Planície Heróica em março 13, 2004 02:11 AM

Na minha terra já não ouvem
As gentes a cantar,
Pra espantar a rudeza dos campos
Agora o cante está colorido
De memórias e resignação.

Afixado por: sagher em março 14, 2004 11:23 AM

Grande Puga! Cá estou de visita ao teu blog. Grande modernice! "Ainda te apanho a fumar".
Obrigado pelas referências ao mano Zé Carlos. Vai dando notícias sobre o projecto do Vimieiro.

Um abraço. Zé Francisco.

olha, já me lembrei quem ela era. Fiquei com sódades.

Afixado por: Zé Francisco Albino em março 15, 2004 07:11 PM

Daqui das Azenhas mando um abraço apertado ao homem!!!

Afixado por: Azenhas em março 15, 2004 07:45 PM

Grande Pulga e grande Gugas.

Continua blogando que eu vou te ouvindo, ou melhor, lendo.

Um grande abraço

José Paulo Albino

Afixado por: José Paulo Albino em março 18, 2004 05:57 PM