Entre os festejos fixos anuais, o carnaval ou entrudo é o que apresenta a maior diversidade de sentidos. Possivelmente, o mais legítimo, será a celebração do fim do inverno e início da primavera tal como a entendiam os romanos, ou, quem sabe, a origem pode ser ainda bem mais antiga.
O termo entrudo terá origem em “introitus” que significa entrada. Já quanto ao termo carnaval as opiniões são diversas: para uns é uma sucessão de “carnevalemen”, cujo significado será “o prazer da carne”; para outros surgiu do latim “carnevale” como o “adeus carne” e alvíssaras de que a terça-feira gorda é o último dia em que é permitido comer carne no calendário cristão; outros ainda pendem mais para as festas em honra de Dionísio nas quais o “carrus navalis”, não era mais que o carro que transportava um enorme tonel que dessedentava os foliões da excessiva Roma.
A licenciosidade do entrudo era o momento anual de uma certa permissão da troça conduzida aos poderes, à moral e aos costumes. Tenho bem presente as tradicionais brincas do entrudo da minha região. Que não eram mais que a crítica cerrada e escarninha encenada, no segredo, por um grupo de foliões que no entrudo a teatralizavam na rua para gáudio dos outros cidadãos.
Hoje tudo isto foi desvirtuado. Realizam-se uns cortejos bacocos a puxar à telenovela e ao samba. Chamam-lhe O Grande Carnaval não sei da onde. O Senhor Presidente da Câmara, as autoridades e outras individualidades aplaudem os cus das brasileiras, ou, das nativas que lhe copiam o menear da anca. O povo regozija.
Muito circo e pouco pão. Eu passo!
Continuo a gostar mais das festarolas autênticas e sem arrebiques que ainda vão acontecendo por aqui e por ali.

photo José Manuel Rodrigues