fevereiro 20, 2004

Prosperino Gallipoli

Dizem de Maputo que morreu o Prosperino.
Prosperino Gallipoli, italiano, missionário capuchinho, matreiro e hábil comunicador e ao mesmo tempo dono de um carácter impetuoso. Chegou a Moçambique no ido ano de 1958. Apostolou anos e anos na Zambézia. Não escapou da turbulência do pós-independência e foi expulso de Moçambique. Com a caturrice que lhe conheci, ficou por ali, penso que na Suazilândia. Segundo se dizia, o próprio Samora Machel convidou-o a regressar à terra que também tinha como sua. Voltou ainda mais teimoso.
Por volta de 80 encabeça a defesa dos camponeses pobres, da cintura de Maputo, contra a forçada estatização da produção. Consegue movimentar milhares de mulheres. Esmola – eufemismo nos métodos do Gallipoli – fundos da América à Itália. Não há cofres que escapem à lábia da sua gazua. Formam-se dezenas e dezenas de cooperativas agrícolas. Nos tempos da penúria alimentar, carne de porco e hortaliças, só do Prosperino e da Celina Cossa então presidente da União das Cooperativas de Maputo.
Trabalhei com ele durante dois anos a soldo da UNICEF. Tivemos pegas furiosas. Quem não tinha. Certa vez, verde de cólera, gritou-me: Isidoro, tu és um rebelde, mas és um dos bons técnicos que eu tenho. Fiquei vaidoso com a avaliação.
Vivia sozinho ali para os lados da Mafalala. De vez em vez ia a sua casa dar uma léria e bebericar umas bijecas. Quando estava de boa catadura tinha a bonomia dos gordos e era um bom conversador naquele seu arrazoado italiano, português e changane.
Tenho saudades do Prosperino! Agora que está no seu segundo reino, o S. Pedro que se cuide!
Prosperino.jpg
Prosperino primeiro da esquerda

Publicado por machede em fevereiro 20, 2004 04:29 AM
Comentários

Bello recuerdo de este soñador. Para mi fue eso, un pragmático y perfecto soñador. Y sin duda un hombre esencial en la tierra, en esta tierra. Por eso estoy desolada, aunque muy agradecida por tener su recuerdo.

Rocio

Afixado por: Rocio RM em fevereiro 25, 2004 12:46 PM