fevereiro 18, 2004

“A Agricultura na História de Portugal”

Verdadeira bíblia para os estudiosos ou simples curiosos do tema. Obra da autoria do saudoso Mestre Eugénio de Castro Caldas. Professor que contribuiu dedicadamente para a formação de inúmeros agrónomos. Mestre que, durante uma vida cheia, reflectiu e cultivou um desenvolvimento sustentado para este país.
À laia de notificação sobre o conhecimento, e direi mesmo o respeito, que nos merecem os nossos melhores pensadores, rabisco dois eloquentes exemplos de percepção oposta: dos vários professores das academias portuguesas a quem da obra falei, poucos a conheciam ou dela tinham alvíssaras; de uma académica catalã que por aqui andou colhendo um doutoramento sobre o uso agrário alentejano ao longo dos tempos, trazia a sua referência na bibliografia a consultar. Sinais de uma herança salazarenta que escondia no vão da escada – não poucas vezes em sítios mais esconsos e gradeados -, os que não reverenciavam ou até cometiam o supremo sacrilégio de se atrever a discordar publicamente.

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Da introdução deste faraónico trabalho, retiro um excerto que, penso, aquilata do rigor do Mestre.

(...) Quando a Vida Rural solicitou ao signatário que elaborasse uma série de Artigos de Informação Cientifica de Base ligados ao seu Ensino não lhe pareceu possível tentar a História da Agricultura, embora tivesse regido Disciplina subordinada a este título, sem que se considerasse historiador. Verificou que recorrera à história como instrumento científico que provinha de raiz Pré-histórica na Arqueologia, Antropologia, bem como na Geografia Física e Humana, Etnografia, admitidas, quanto muito, como História Natural, onde vem inserir-se a História de Portugal. Todavia, quando, no decurso da elaboração dos referidos artigos, foi resolvido publicar um trabalho, não pareceu ao signatário que a referência à História fosse adequada, dando preferência à designação de “Agricultura portuguesa através dos tempos”, visto que a Agricultura precede a “História de Portugal”. Não deixávamos de admitir a inexistência da coordenada “tempo” na realidade da dimensão do Universo cientificamente compreensível, presumindo-se apenas a evolução da “vida”, feita a partir da base da Energia que se encontra na origem e na adaptação às transformações naturais do Planeta Terra. Nos “Reinos” mineral, vegetal e animal existiria longo “período” Pré-histórico, na Natureza ainda não humanizada, sendo encontrados na evolução das “Espécies” os vestígios da presença Humana de que trata a Antropologia em função das condições Geográficas e Comportamentais dos Primatas. Pelo motivo de se pretender a descrição da Agricultura no espaço Geográfico onde Portugal acabou por ser implantado como orgânica política, recebendo naturalmente influências do exterior, volta a preferir-se a designação de “História de Portugal” embora se não recorra à metodologia desta Ciência no que se refere à documentação dos factos que registam os acontecimentos. O que se pretende, partindo das circunstâncias Pré-Históricas explicativas da evolução futura da Agricultura, é encontrar o momento em que o “mistério” do longo e insondável processo de Humanização do Universo, o Trabalho se implanta como nítido alicerce da Vida Sociológica. Regressamos, por isso, sem qualquer sombra de dúvida à reedição do que possa ser considerado interpretação de conteúdo Agronómico de “Agricultura na História de Portugal”, visto que nunca poderíamos apresentar aos nossos Leitores a “História da Agricultura Portuguesa” dotada de metodologia apropriada no que respeita à fundamentação científica dos factos comprovados adequadamente. Foi possível basearmo-nos em Historiadores que promoveram o aprofundamento e a análise de documentos referentes a diferentes Idades e Épocas, sendo as lacunas preenchidas por especialistas de outros ramos das Ciências Sociológicas, completando-se tal conjunto com deduções de Agrónomo que, por vezes, representam interpretações científicas de factos Humanos e de acontecimentos nebulosos, induzidos por circunstâncias Ambientais inesperadas. O texto representará Antologia, Memória e Lenda, ficando longe da forma de Romance que se pretendia elaborar, de acordo com o Processo Agrário tanto quanto possível investigado.

Casa da Andorinha, 1998

Publicado por machede em fevereiro 18, 2004 02:58 AM
Comentários

Fiquei curioso,

um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em fevereiro 19, 2004 12:10 AM