fevereiro 07, 2004

António Charrua

Nasceu em Lisboa em 1925. Vive em Évora. António Charrua continua a habitar teimosamente na Rua Mouraria, casa que conheço como sua até onde consigo rebobinar o arquivo da memória. Por lá andei, ainda pateta de bibe, pela mão do saudoso amigo João Perdigão que, há altura, ainda sem filhos fazia questão de passear o gaiato. Por aí passaram assiduamente, João Cutileiro (também ainda habitante do burgo), Dordio Gomes, Júlio Resende, Álvaro Lapa e Henrique Ruivo.
Em meados dos anos 60, sem contudo abandonar o informalismo ou o gestualismo, começa a produzir trabalhos onde são visíveis referências à Pop Art, tal como Lurdes de Castro, René Bèrtholo, Sá Nogueira e o também eborense António Palolo.
Em 2001, o Museu de Évora montou uma exposição sobre a sua obra. Nos cerca de 50 trabalhos expostos, trespassava o tempo desde a década de 50 até há última do finado século. Nós agradecemos.

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Photo Gérard Castello-Lopes. Évora.2000

“A minha obra vejo-a como uma pesquisa numa zona marcada pelo gesto expressionista, mas determinada por um certo desejo de equilíbrio, uma certa contenção (...) Contrariamente ao que se possa supor, não se trata de começar no real, ou naquilo a que se chama natureza. Tudo se passa no plano da tela, e, recusada a ilusão, as coisas situam-se na continuidade do sentido estético, que o mesmo é dizer na própria obra de arte. Suponho que toda a pintura dita moderna apela a uma nova construção do espaço que tem a ver mais com o que se sabe do com o que se vê. Mas o real também está presente, na sua indeterminada, fascinante e misteriosa dimensão”.
(António Charrua em entrevista a António Bacalhau)

Publicado por machede em fevereiro 7, 2004 02:06 AM
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