Quanto ao Algarve litoral, estamos conversados! O que resta, bem, o que resta só a mão do criador o pode salvar. Como? Ora, um pequeníssimo tremorzinho de terra, coisa aí para uns 7,5 na escala de Richter.
O barrocal e a serra eram a luz dos meus olhos. A crença na infinita misericórdia do criador que, há muito, teria dado despacho para o director executivo: Pedro, o macacal apanhou-nos de férias e foi a desbunda que se vê, mas como nós, oficialmente, não podemos pactuar com a licenciosidade das mamas ao léu, deixa-os continuar as diabruras, mas só na praia Pedro, no barrocal nem pó, e na serra muito menos que são os estão mais próximos aqui da gerência.
Acontece que, suspeito eu, os gajos das diabruras (patos bravos de Lineu) têm, belamente, uma infiltração no secretariado e daí conhecerem com rigor o mapa de férias da gerência. Só pode!
Contentinho da vida, ia eu serra acima pela histórica N2, pensando com os meus botões que a coisa ainda tinha jeito, então e não é que ao desembocar na última curva antes de Alportel deparo com um cerro quase careca. O quase tem a ver com uma dúzia de pinheiros e sobreiros que escaparam da hecatombe. No meio dos pinheirítos e sobreirítos órfãos, elevava-se, bacocamente aparatoso, um mastodonte – que me perdoem os mastodontes, mas não achei melhor palavra para descrever aquela coisa a que me coíbo de chamar solar ou palácio, em atenção ao bom nome dos ditos. Em volta das atarantadas autóctones, umas espampanantes exóticas vegetais que, espero, a natureza na sua infinita sabedoria há-de um dia engolir. Tudo isto embrulhado num imperial muro (muro é favor), acolitado por um não menos faustoso portão escudado num aparato de segurança à laia dos filmes de Hollywood.
Soube mais tarde, por fontes seguras da terra: o cabeço careca, a méson, as órfãs autóctones, as exóticas, a muralha mais o portão, são de uma engenheira do ambiente que parece que trabalha no estado.
Eu, se fosse o estado a que isto chegou, pedia transferência!


Palavras para quê, é um artista português
Gostámos muito... especialmente da telha que protege a alvenaria de pedra... da chuva?...
Um abraço,
Francisco Nunes.
P.S.-Também desconfiamos de engenhêro, ou engenhêra, na costa...
Afixado por: Planície Heróica em janeiro 20, 2004 02:26 PM