janeiro 14, 2004

A maluqueira do rectângulo...

Um, que por acaso é o patrão da inducação cá no rectângulo, esquece-se de declarar qualquer coisa como uma porrada de ordenados mínimos ao fisco e, à laia de se ter esquecido dos cinco tostões do troco no balcão da tasca, declara com a leveza dos imperturbáveis que até ganhou com a rectificação.
Outro, que por acaso (acaso, palavra bem dita!) é secretário do estado a que chegou a administração local, de motosserra nas unhas, diverte-se, contentinho, a retalhar o rectângulo em feudo a mim feudo a ti como se isto fosse um lego gigante. Depois, no programa “contra-ponto” sobre o desenvolvimento do interior, com um honorário sorrisinho de chefe de turma, aldraba-nos com um paranóico chorrilho de 817 voltas a Portugal em autarquias, 4213 contactos (possivelmente extraterrestres!) com a sociedade civil, 2017 seminários e 1118 congressos, nos quais, com a visível inteligência superior, debateu o primor do retalho. Sobre o tema disse 0, mas manteve-se gloriosamente em cena anafado de certezas acompanhadas do seráfico sorrisinho.
Uma, que não por acaso é jurista e deputada do partido reinante, incomodada com o regabofe da comunicação social que é useira e vezeira na calhandrice do género tanque de lavar roupa, clama por uma rolha na liberdade da comunicação social. Lá onde está, o botas de Santa Comba jogou-se ao chão a rir a bandeiras despregadas.
Um, por acaso qualquer escriba do telejornal nobre do canal estatal, possivelmente já em conluio com o do sorrisinho de chefe de turma, ou então atacado de dislexia geográfico-administrativa, pranta o algarvio concelho de Aljezur no Alentejo.
Outro, o Lopes das tias e das primas com linha da linha, lançou o primeiro dos 483 livros, almanaques e calhamaços que vai escrevinhar até a rapaziada estar farta de tanta literatura e o envernizar como presidente de Portugal (incluindo as ilhas selvagens) e de todas as discotecas com jet7. Madrinhando o lançamento da obra “Causas de cultura”, Agustina Bessa Luís, disse que o Lopes é “capaz de representar a razão de todos”. Alimpa-te Santana!
Posto isto, no auge desta elevada maluqueira global, nada há como a sadia, benigna e simplória maluqueira regional alentejana. Esta apropriada e respeitável maluqueira que nunca nos deu para sermos malucos.
-Manel, atão ontem ali na taberna do Chico Fofa comeste dois quilos de linguiça e bebeste três litros de vinho?
-Ora, a poder de pão!

Publicado por machede em janeiro 14, 2004 09:28 PM
Comentários


Caro companheiro:
Mais uma vez em cheio. Foi um regalo. O pessoal cá da capital (alguns dos meus colegas "doutos" que ainda falam do Alentejo como paradigma equidistante e com pouca noção da sua realidade e história) já se "converteram". não perdem pitada... veja lá se tivessem pão!
Cordialmente
Alves Caeiro

Afixado por: Alves Caeiro em janeiro 15, 2004 07:32 PM