
José de Carvalho. Na memória do burgo ao Zé associasse antes o Guinapo. Era o Zé Guinapo, um traço esbelto e mais que meão na altura. Personagem forte e desassossegada. Por altura do bulício juvenil deu-lhe para os touros, deu-lhe a paixão de se medir na vertigem do risco em duelos de imensa sedução estética. Vale dizer que o fazia com afoiteza e mestria, daí ser reconhecidamente um dos melhores pegadores de cernelha da altura. Era, sem dúvida, o potencial esteta do Zé a brotar.
Tempos depois pacificou o espírito e entregou-se à pintura. Intenso e inquieto, encontrou no neo-expressionismo a ocasião de reinventar o desenho arrebatado, com traçado informal oriundo dos usos de tintas espessas em suportes ásperos.
Nasceu em Évora. Morreu em Évora no ido ano 1991. O amigo Zé Guinapo tinha 42 anos.
“O meu trabalho é feito à escala universal. O novelo que sinto cá dentro tenho de o revelar, todos nós temos um novelo e, se reunirmos as condições ideais para o revelarmos, somos artistas. (...)”

José de Carvalho – Série Heróis/1986
conhecia de vista, não sabia que tinha morrido