novembro 12, 2003

BRANCA E AZUL: A PELE DA TAIPA

Mértola e Chefchaouen

A pele da taipa 4.jpg
Mértola Vila Museu

Depois de algumas horas de viagem a subir o rio, eis que, passada a última curva, branqueja mesmo em frente o casario de Mértola. Vencidos alguns baixios e bordejando margens bravias agitadas por intensa vida selvagem, a visão do aglomerado urbano aparece como uma insólita mancha humana numa paisagem de campos abertos tisnados pelo sol. Esta era também, em tempos mais recuados, a visão dos mercadores romanos que a pulso dos seus remadores vinham buscar os vinhos generosos do Alentejo e, bem mais tarde quase até aos nossos dias, a dos embarcadiços que nas últimas canoas de velas esguias traziam as notícias da capital e os adubos para as terras magras da campanha do trigo.
(...)
Cláudio Torres

A pele da taipa 3.jpg
Chefchaouen, Cidade Branca

Chefchaouen estende-se, branca e imponente, por um dos muitos cerros do Fif, um território montanhoso no Norte de Marrocos. A Chefchaouen chega-se por uma estrada estreita e sinuosa. De Chefchaouen parte-se com pouca vontade, sempre pelo mesmo caminho, encostas abaixo até perto do Estreito de Gibraltar.
(...)
Santiago Macias

A pele da taipa 1.jpg
Fotografias do mê António Cunha (cantoneiro)


Publicado por machede em novembro 12, 2003 12:18 AM
Comentários

É bonito.
Mas é perigoso fazermos do nosso Alentejo um museu...
Também era criminoso repudiarmos aquilo que era nosso...


A gente vai conversando...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em novembro 12, 2003 12:29 AM

Se todos investíssemos em mostrar o nosso Alentejo, mesmo dele museu fazendo, pois continua a esconder a mais rica paisagem arqueológica portuguesa, talvez fosse esse o nosso mais promissor futuro.
Falarmos de aeroportos comerciais, de vias rodoviárias estruturantes, de devaneios de pólis, sem antes cuidarmos de tratar de salas de visitas apelativas, temo que seja inconsequante e financeiramente um investimento sem retorno para a região.

Afixado por: carlos a.a. em novembro 12, 2003 11:05 AM

As fotografias do mestre António Cunha são, como é habito nele, ..... de mestre.

Afixado por: nikonman em novembro 12, 2003 04:03 PM

...acho enternecedora essa vossa paixão plo alentejo. Também sou alentejana, mas sou também de outros lugares do mundo. Talvez por isso a vossa concentração de energias na apreciação, um nadita "facciosa" (a mê veri), das planícies me comova assim...(shuif, shuif)...

espalhai então a palavra meus "irmãos" da terra;))

Afixado por: miamel em novembro 12, 2003 07:35 PM

Daqui uma alentejana a viver no nuerte. Adorei!! e belas fotos! vou linkar lá no meu blog de navegação, eu que sou de sequêro agora dei em navegadora... enfim, não posso sair da nossa terra, só faço asnêras :)

Afixado por: Columbiana em novembro 12, 2003 08:45 PM

As minhas costelas alentejanas herdadas da minha avó e que me traem por vezes na pronúncia de certas palavras estão absolutamente cativadas.

Afixado por: Claudia em novembro 12, 2003 10:19 PM

Concordo com o que disse o autor do 'Ideias Soltas' a propósito do Nosso Alentejo em termos paisagísticos...
Reafirmo: é perigoso transformar o Alentejo num museu. Os ovos não se põem nunca todos no mesmo cesto...
Na minha terra, dos naturais que iniciaram comigo a escola primária, estamos aqui 3 ou 4.
As aldeias estão desertas de gente nova.
Os montes estão transformados em casas de férias com cheiro a mofo.
O golfe espreita, mas um 'green' (é assim que se diz?) é um autêntico crime ecológico...
O património construído é muito válido mas não é o mais adequado ao turismo de massas e, portanto, gera poucos postos de trabalho.
O Turismo... sim senhor! É uma indústria com futuro. Mas não pode ser 'a' indústria do Alentejo: é pouco.
O vinho precisa de escoamento.
Os minérios precisam de escoamento.
Os produtos do regadio do Alqueva, quando (deveria dizer 'se'?) vierem, têm que ser escoados.
Fala-se na indústria aeronautica: que venha...
Fala-se em indústrias de ponta não poluentes (ou minimamente poluentes) que venham.
Que voltemos a ouvir crianças alentejanas no Alentejo p...!
Que as nossas crianças voltem a perseguir os grilos, os pássaros a rir: a ser crianças.

Sonhemos, portanto...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em novembro 13, 2003 02:10 AM

Sonhemos..., sonhemos então em, sem partidarites, credos, ímpios e mesquinhos interesses, de cara a cara, nos erguer, agir, para de nós nos fazermos, de nós sermos.
Ponha-se um ponto final na maledicência quotidiana a todos que procuram fazer. Não tenhamos inveja de quem faz.
Façemos! Sonhemos em fazer. Eis o desafio.

Afixado por: carlos a.a. em novembro 13, 2003 11:26 PM