
fotografia de maltês
É o copo de vinho que se bebe de um trago. É a mão que alcança o pão e o petisco. É o cigarrito que calmamente se fuma. É a roda de companheiros. Com um súbito entendimento de muito tempo, o silêncio cobre as falas. Vem aí o cante. Sozinho, o ponto rompe com a moda e a voz sobe lucidamente limpa pela noite. Os outros, com os pés agarrados ao chão, compenetradamente sérios, acompanham em silêncio o sinuoso progredir da voz do ponto. Subitamente, o alto, solta a voz, aguçada, sibilante, fazendo o apelo. É então que o coro destapa as gargantas, e o vozeirão dos baixos retribui entornando em entoação majestosa o avançar da moda. E a toada do cante suspende-se na noite como se a voz dos homens tocasse o absoluto.
É a roda de companheiros. É a mão que alcança o petisco e o pão. É o copo de vinho que se bebe de um trago. É o cigarrito que calmamente se fuma. Volta o silêncio a cobrir as falas. Vem aí novamente o cante.
É um tónico para a alma!
Afixado por: Alma Danada em novembro 11, 2003 06:10 PMO cante é a força da nossa cultura.
É pena que os jovens não se interessem.
Caro António pode ser que a coisa se inverta.
O meu filho vai integrar um grupo de cante.
Haja esperança!