novembro 08, 2003

Deslumbrem-me porra...

Mote principal: “Não pagamos”.
É curto, muito curto. Esperava que dissessem que esta universidade não serve porque está desligada da realidade. Esperava que proclamassem que esta universidade não serve porque vive olimpicamente fechada sobre si mesma, ignorando, regra geral, o local e a região onde está instalada. Esperava que se insurgissem contra o facto da maioria dos cursos existentes estarem descontextualizados do mercado de trabalho. Esperava que se rebelassem contra esta universidade por continuar a produzir funcionários “doutores” cinzentos para um país cinzento. Esperava que propusessem uma discussão séria e alargada sobre a universidade que faz falta na construção de um país a cores.
Nada disto, antes pelo contrário. Continuam apenas bem trajadinhos e defensores de práticas iniciáticas do tempo da maria cachucha, verdadeiramente ofensivas da dignidade a que cada um tem direito. Quanto a reclamações, ficamos pelo “não pagamos” aconchegado de mais uma mão mal cheia de ideias atamancadas, manifestas sob a forma de uma fotocópia truncada de um tempo em que ainda não havia fotocópias.
Onde deveria haver pujança, rebeldia e ideias inovadoras, há apenas um reflexo de uma anquilosada juventude desentendida com um país igualmente desentendido consigo próprio. Vamos longe!

Publicado por machede em novembro 8, 2003 01:00 AM
Comentários

Boa, boa...
mas não são só os moços que têm culpa... Foram alvo de umas 6 ou 7 reformas não avaliadas, entraram com notas negativas na Universidade...

Outro Abraço,

Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em novembro 8, 2003 01:44 AM

...estava eu no segundo ano da minha licenciatura qndo tive a necessidade de pedir a um coleguinha de turma uns apontamentos emprestados. Até aqui tudo parece normal não fosse o insólito de ao começar a lê-los encontrar na primeira ou segunda linha dos ditos um tempo verbal completamente desconhecido para mim: "estavão". Pus a folhinhas de lado toda arrepiada, e no dia seguinte fui em sprint entregá-las ao meu simpático colega. Com português assim parece-me bastante razoável que o máximo que a classe estudantil consiga gritar seja, precisamente: "não pagamos!" A verdade é que não pagam eles para que possamos pagar todos o custo da ignorância.

...aqui da cidade de olhos na planície.

Afixado por: miamel em novembro 8, 2003 06:46 PM

Exactamente!No alvo.

Afixado por: António em novembro 10, 2003 06:58 PM