
Esta imagem foi fixada no mês de Setembro de 1958. Numa leitura repentina, é de certeza uma imagem captada num lugar da Europa mediterrânica. Grécia, Sicília, Córsega, Espanha, são lugares passíveis de uma imagem semelhante. Trata-se de um retrato do casamento do tio António, matrimónio que aconteceu há 45 anos em Nª Senhora de Machede, era eu um petiz de franja e calções com peitilho.
Do espólio de imagens que guardo religiosamente, esta, é sem dúvida a preferida. É muito forte. Revela mais sobre a vida no Alentejo desse tempo – que em termos históricos está já ali ao virar da esquina do passado – do que muitos tratados sociológicos.
Da direita para a esquerda: a madrasta da minha mãe – como era uso ouvir da família; o avô Isidoro – republicano de uma vida inteira que para seu grande prazer morreu depois de Abril; o tio António e a sua noiva; e quatro tias da noiva – percebi posteriormente que ao tempo todas elas já eram viúvas, a imagem diz isso.
O tio António era alcunhado na família de “Africanista”. Contava-me estórias maravilhosas de lugares fantásticos repletos de bichos assustadores. Assomava de quando em vez, muito de quando em vez, chegava e partia de paquete. Antes de eu ter registos, tinha partido na busca de outra vida e, possivelmente, de aventuras. Mal sabia o tio António que ao contar-me as estórias, estava a semear uma seara de muitos moios de convencimento de também eu um dia partir para aqueles admiráveis lugares. Tinha carradas de razão o tio António! E como atrás dos tempos outros tempos hão-de vir, agora sou eu que conto estórias de gentes e lugares fantásticos
Você dá-lhe a sério!Depois de passear pela inutilidade da maioria dos blogues é agradável encontrar o alentejanando.
Afixado por: Batista em outubro 11, 2003 07:06 PM