
Retrato da família de Florbela Espanca durante uma merenda campestre. A poetisa é a menina do canto inferior esquerdo. Fotografia tirada na dobra dos séculos XIX/XX mais coisa menos coisa, pondo-se a hipótese do fotógrafo ter sido o pai de Florbela. Interessante imagem da vivência de uma família abastada no Alentejo da época.
RÚSTICA
Eu q’ria ser camponesa;
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a Natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha...
Levar o cântaro à fonte,
Deixá-lo devagarinho,
E correndo pela ponte
Que fica detrás do monte
Ir encontrar-te sozinho...
E depois quando o luar
Andasse pelas estradas,
D’olhos cheios do teu olhar
Eu voltaria a sonhar,
Plos caminhos de mãos dadas.
E depois se toda a gente
Perguntasse: «Que encarnada,
Rapariga! Estás doente?»
Eu diria:«É do poente,
Que assim me fez encarnada!»
E fitando ao longe a ponte,
Com o meu olhar cheio do teu,
Diria a sorrir pró monte:
«O cant’ro ficou na fonte
Mas os beijos trouxe-os eu...»
Florbela Espanca
18-7-1916
Belissima foto. Desde miúda que sou fan da Florbela Espanca. Agora desliguei-me um pouco da poesia em geral, no entanto continuo a ter os livros dela aqui, perto de mim!
Afixado por: wildblue em setembro 21, 2003 12:55 PM