setembro 18, 2003

Francisco Louçã, Chico para os mais chegados.

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Nada melhor que inaugurar a componente visual do Alentejanando com o mê Chico.
O Francisco Louçã – não confundir com aquele moço deputado, aliás, o mê Chico a ser, é mais doputedo – é um bichano excêntrico q.b., intelectual acrata, militante??? mas só da libido, melómano do jazz e da clássica, adorador da virtude do petisco e do copo e de umas boas lérias, dorminhoco inveterado e higiénico como qualquer gato que se preze. Por vezes entra em divagações metafísicas... suspeito profundamente que de quando em vez se mete nos charros. Em suma, um verdadeiro cavalheiro bichano!
O mê Chico era há uns tempos o que basicamente se apelida de «sem abrigo», tendo como zona de intervenção a baixa de Faro, lugar estratégico para a sobrevivência, dada a excelente demografia de baiucas ligadas ao peixinho, atafulhados de estranjas sempre disponíveis para uma franqueza a um simpático trinca-espinhas. Mas o mê Chico estava um naco farto deste mal andar – confidenciou-me numa noite de copos... os estranjas são sazonais... o peixe é agora uma fraude de aviário... estava a ficar sem paciência para aturar a invasão das tias veraneantes... e, o pior, sempre detestou a afectada turba motard que uma vez por ano atazana a paciência dos farenses – e pronto, não resistiu ao colo protector de uma balzaquiana entusiasta da gataria – mas não federada na Liga Protectora, o mê Chico detesta essas imbecilidades porque se preza de animal coerente e, já agora, gosta de touradas à espanhola. E lá ficou por conta com casa posta, como dizia o meu avô.
Chegámos à fala na casa da Pisco, do Leo e do Gaspar, durante uma jantarada de robalos apanhados à cana na Ria Formosa. Meia de lérias e deitei o aceno ao mê Chico para se mudar, igualmente por conta e com casa posta, para o paralelo dos chaparros. Mas foi dificulitoso, o mê Chico fartou-se de argumentar com a amenidade do clima e com a praia, convenceu-se finalmente com a qualidade da paparoca e das pomadas alcoólicas.
Cá reside há um bom par de anos, anafado e bem disposto. Por vezes provoco-o: atão mê Chico na tens saudades da vagabundagem libertina com gatas há fartasana. Lambendo os bêços depois de se atulhar c’um petisco de fígados de aves, responde-me quase por favor: ó meu, o Bagão está-se cagando para os excluídos, e sem rendimento mínimo garantido ficava mal amanhado por mou dos prazeres, quanto às gatas, tomara eu que não me fodam a mim. É um bom companheiro!

Publicado por machede em setembro 18, 2003 06:15 PM
Comentários

Compadre: adorei a apresentação do Chico. Muito prazer em conhecê-lo! Com tanta mordomia, estou a pensar mudar-me para sua casa e amansebar-me com o bichano. Só não gostei do nome que lhe pôs. Francisco Louçã?! Pobre bicho! Com o carinho que você fala dele, não me parece que o queira insultar, por isso, não percebo. Aos políticos é que temos o dever cívico de chamar nomes feios, não é? Eles é que merecem. Então não envergonhe o animal, mude-lhe o nome. Aliás, o Chico não tem nada a ver com o Louçã. Repare: o Chico é da plebe, o Louçã é da alta; o Chico mia, o Louçã pia; o Chico é herege, o Louçã é sacristão; o Chico é divertido, o Louçã é chato; o Chico usa lentes de contacto, o Louçã é caixa d'óculos; o Chico fuma charros, o Louçã só ultra lights, etc.. Portanto, imploro-lhe, mude o nome ao gato. Como ele tem umas malhas pretas, sugiro que lhe chame Black Power ou então Branco das Neves em Meio Negativo. É giro, não acha? Também me lembrei de Branco Filipe, mas isso era pior a emenda que o soneto e não queremos que o bichano se suicide, não é verdade? Tal não seria o trauma, coitado do bichinho! Mas, olhe compadre, se ele fosse fêmea, com aquelas manchas brancas e pretas, você nem imagina a quantidade nomes que lhe podíamos pôr... Só de respeitáveis vacas, enchíamos um caderno!
Cumprimentos ao Chico e um abraço para si do Zé da Provocação

Afixado por: Zé da Provocação em setembro 19, 2003 10:30 AM

Essa fotografia é um espanto . ADOREI... Gosto imenso de gatos e até canto uma poesia de Ary dos Santos musicada pelo Nuno Nazareth Fernandes,que se intitula "Os Gatos". Um texto genial !

Afixado por: Valeria Mendez em setembro 20, 2003 01:18 AM