No correio electrónico chegou o pasmo que abaixo incólume transcrevo. Vale o que vale e possivelmente também tem uma dose de bota abaixo. Todos sabemos o quanto somos especialistas a bater no ceguinho.
Pessoalmente não fiquei estupefacto. Para desgosto meu, tenho sido um espectador atento desta (in)evolução.
Juventude rasca, não vou por aí, talvez um pouco distraída. Rascas, deliberadamente só os progenitores e o estado da nação. Depois, mas sempre a montante do sujeito, sucede-se todo um cortejo de responsáveis por este descalabro educacional. No fim da linha, encontra-se a pátria dos chicos-espertos, paraíso da acefalia galopante em que o novo-riquismo é a ideologia dominante. Vamos longe!
«1. Curso de Segurança Social, numa universidade privada lisboeta.
- Diga-me lá porque é que a taxa de natalidade é menor nos países
desenvolvidos.
- Porque se trabalha mais do que nos países subdesenvolvidos.
- Ai sim?
- E tem-se menos tempo.
- Menos tempo para quê?
- (o aluno, hesitante e já embaraçado) Menos tempo para fazer amor.
2. Exame numa universidade privada, em Lisboa.
- Dê-me um exemplo de um mito religioso.
- Um mito religioso? Sancho Pança.
- (estupefacto, o professor pede ao aluno para este escrever o que acabou de dizer.) O aluno escreve no quadro: "S. Xupanssa".
3. Prova oral da cadeira de Direito Constitucional, uma universidade privada de Lisboa:
- O que aconteceu no 25 de Abril foi o início do regime autoritário salazarista. Mas quem subiu ao poder foi o presidente do então PSD, Álvaro Cunhal, que viria a falecer em circunstâncias misteriosas no acidente de Camarate.
4. - Quais são as batalhas mais importantes da história portuguesa?
- Antes de mais, senhor doutor, a batalha de Alves Barrota.
O exame terminou aqui.
5. Um instituto superior da capital. 1º ano de Relações Internacionais. A cadeira é Ciência Política. O professor é um distinto deputado à Assembleia da República. A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974: a revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que governava o país depois de deposto o último rei de Portugal, Oliveira Salazar. O 25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o marechal Spínola e o marechal Caetano.
Obviamente, chumbou.
6. Outra versão, ainda mais criativa, desta vez numa universidade privada de
Lisboa, no 3º ano de Relações Internacionais.
- Descreva-me brevemente o que foi o 25 de Abril de 1974.
- Foi um golpe levado a cabo pelos militares, liderados por Salazar,
contra Marcelino Caetano.
- (o professor, já disposto a divertir-se) E como enquadra o processo de descolonização nesse contexto?
- Bem, a guerra em África acabou quando Sá Carneiro, que entretanto
subiu ao poder, assinou a paz com os líderes negros moderados. Foi por causa
disso que ele e esses líderes morreram todos em Camarate.
- Já agora, pode dizer-me quem era o presidente da República Portuguesa antes de 1974?
- Samora Machel.
Conta quem assistiu à oral que o professor quase agrediu a aluna.
7. Uma professora de Direito Constitucional numa universidade privada do Porto questiona o aluno sobre a Constituição de 1933. Esta consagra a impossibilidade de os descendentes da casa de Bragança se candidatarem à presidência da República.
- Diga-me lá porque é que D. Duarte, segundo a Constituição portuguesa de
1933, não poderia candidatar-se à presidência da república?
- Porque ele é actualmente o presidente português.
Noutra resposta à mesma pergunta, esta professora recebeu:
- Porque vivemos num sistema monárquico.
8. Numa outra prova oral de Direito Constitucional, o examinador pergunta ao aluno:
- Quem substitui o presidente Jorge Sampaio em caso de impossibilidade temporária deste?
- A mulher dele, a Maria José Rita.
9. Uma universidade privada em Lisboa, 1997. A correcção manda que se
diga que "as leis são emanadas pela Assembleia da República". Discorrendo
sobre o processo legislativo, um aluno responde que "as leis vêm em manadas da Assembleia da República".
10. Prova Oral de Política Internacional, 3º ano de Relações Internacionais,
numa universidade privada de Lisboa. O professor questiona o aluno sobre o tratado Ribbentrop-Molotov.
- Como se chamava o tratado germano-soviético de não-agressão?
- (o silêncio é sumptuoso).
- (o professor tenta ajudar) O primeiro nome do tratado é Ribbentrop.
- Aaaaaah....
- Então?
- (novo silêncio).
- (o professor, em desespero) O segundo tem nome de pudim...
- Ah! O Flan!
11. Já numa universidade privada do Porto, durante uma prova oral, um aluno
preferiu situar a Segunda Guerra Mundial "no século dezanove". O professor, disposto a levar o caso até às últimas consequências, pede-lhe para se explicar um pouco melhor. Inquebrantável, o aluno responde:
- É mesmo no final do século. Logo a seguir, começa o século XX, em
1950.
12. 1º e 2º ano do curso de Relações Internacionais, uma universidade privada de Lisboa. 1988/1996. Algumas preciosidades.
- Quem é o actual presidente dos Estados Unidos?
- O Perez Troika.
- Paris é a capital de que país?
- Bruxelas.
- Quando foi a Revolução Liberal em Portugal?
- Em 1640.
- Diga-me por favor o que é a Nato.
- É a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
- E a OTAN?
- (o examinado, depois de pensar demoradamente) Bem, aí a doutrina
divide-se.
- Então diga-me lá qual era o nome próprio de Hitler?
- Heil.
- Minha senhora, em que época histórica situa Adolfo Hitler?
- No século XVIII, senhor professor.
- Tem a certeza?
- Não! Desculpe... No século XVII.
- Pode dizer-me o que é um genocídio?
- É a morte dos genes.
- Como?
- É a morte dos genes e dos fetos.
13. Numa outra oral. Cadeira de História das Ideias Políticas e Sociais.
- Qual é a obra de fundo de Adolfo Hitler?
- É a Bíblia alemã.
14. Cadeira de Direito Internacional Público, uma universidade privada do Porto. O professor, desesperado com a vacuidade das respostas de certo aluno em orais da especialidade, resolve tentar ajudar, recorrendo à geografia. Questionado sobre a localização da Escandinávia, o aluno responde que fica algures na Ásia. O examinador, rendido, brinca agora:
- Podemos então passar a chamar-lhe Escandinásia.
- Se calhar, senhor doutor.
- Não sabe que a Escandinávia fica na Europa?
- Pois é, tem razão!
- E fica a Norte ou a Sul?
- A sul.
- E sabe apontar-me alguma característica dos escandinavos?
- (o aluno, depois de longa pausa) Bem, eu acho que eles não são pretos.»
A bem da nação.
Numa palavra? Edificante.
Afixado por: paulo em setembro 14, 2003 04:39 AM