O jornal Público regista em título, “Fosso entre regiões ricas e pobres não para de aumentar”, e em subtítulo, “Estudo da Universidade do Minho revela que fundos estruturais europeus contribuíram para agravar tendência da litoralização nos últimos 30 anos”.
É clarinho como a água. Basta dar uma volta pelo interior e observar com atenção. É evidente que o interior não é só as capitais dos distritos, mas também as outras cidades, as vilas e as freguesias e os lugares. Resumo a questão numa penada, há tempos um gestor bancário alentejano preocupado com estas questões tal como eu, disse-me: a maior parte para não dizer a quase totalidade das poupanças aqui geradas, são investidas no exterior. Sem chamar ao caso os outros, este indicador basta-se para perceber quão grave é a depressão do interior.
Culpas? Na minha opinião são de atribuir transversalmente a todos os poderes que se foram revezando, sem excepção. Neste todos, valha a verdade sublinhar, as políticas de fomento do desenvolvimento do interior – ou as farsas politicas - tiveram alguns ciclos, em que se vislumbrou alguma clarividência. Também valha a verdade sublinhar que as culpas – e até agora todas morreram solteiras - nem só o poder central as tem, aos regionais e locais também cabe uma quota-parte jeitosa. No caso dos últimos: levantamento, diagnóstico, plano, concertação e consequente uso dos recursos, o método de ataque é mais ou menos assim na base «do cada um toca o que sabe». É claro que a somar a esta cacofonia, e para baralhar ainda mais, vêm juntar-se na procissão as inevitáveis capelinhas politicas mais as suas alianças e desalianças.
Há algum tempo, no lançamento de mais um Programa para a revitalização social e económica das aldeias do Alentejo, face há lista das que tinham sido premiadas, inquiri o coordenador e membro da instituição que promovia a reunião:
- Quais os critérios usados na escolha das aldeias em causa?
- Simples, foi a selecção das que ainda têm alguma capacidade de sustentação!
- Então os senhores usaram um método igual ao da CP. Ou seja, começam por fechar os apeadeiros para finalmente os interesses superiores fecharem a linha dada a manifesta falta de utentes.
Simples, quando fecharem a linha vão todos contentinhos para o litoral, que lá é que está a dar. Eu, não vou, pronto! Ainda por cima, com o peso da maralha, qualquer dia menos dia, aquela porra empina-se e vai tudo nadando, nadando, até ao paraíso do Zulu Alberto.
Eu, que teimosamente cá fico, corro o risco de ficar sem densidade e ir parar ao vácuo o que, deixem que lhes diga, deve ser óptimo para praticar ginástica rítmica. Isto, parafraseando o amigo João Faria que oportunamente me ensinou que afinal eu vivia num «território de baixa densidade».