Sempre fui um céptico! Diletante na questão, era, no entanto, apologista do plano de rega do tempo da outra senhora. Era mais maneirinho, mais equilibrado, menos megalómano, com impactos mais repartidos.
Mas então, os meus conterrâneos enregaram furiosamente na do «construam-me, porra». O alarido aumentou e a coisa resvalou para o imperativo patriótico. Ainda balbuciei a defesa da cota dos ecologistas, azaréu, os camaradas da pesca fisgaram-me com um argumento económico com toneladas: cota cento e trinta e não sei quê, uma ova, cota máxima mete mais água e mais perto fica a margem do nosso burgo, portanto, menos km para pôr a minhoca de molho. Os políticos reflectiram e lá arranjaram uns dinheirinhos da europazinha antes que os 6% de chaparros votantes pintassem a cara e entrassem em pé-de-guerra, num conflito mais ou menos do género, os alentejanos contra o resto do mundo e arredores.
Tá quase rasinho. Ainda não regou sequer um pé de couve, mas lá que é um encanto de oceano, é compadre! Agora temos o mar do Alqueva e o resto da tropa só tem o Atlântico, onde, para desespero deles, também molhamos os pés, só os pezinhos, que a rapaziada é de sequeiro. Então e não é que os gajos correm afogueados de todo o lado, parecem perdigotos, para mirar o nosso mar. Calhando, pensavam que as nossas marias andavam lá de gasolina com as mamas ao léu, como naquele romance do García Márquez «Pantaleão e as visitadoras». Bom, mas uma coisa a gente não autoriza, os submarinos do Portas não metem lá as nalgas, pronto!
Agora(!), éramos todos contra "isto".
Afixado por: Fernando Moital em agosto 18, 2003 07:28 PME que belo mar!
Afixado por: transtagana em setembro 2, 2003 01:05 PM